Blog
Marketing

Liderança de pensamento na era da IA: princípios avançados

A liderança de pensamento tende a acontecer, mas como exatamente?
Liderança de pensamento na era da IA: princípios avançados
Blog
Marketing

Liderança de pensamento na era da IA: princípios avançados

A liderança de pensamento tende a acontecer, mas como exatamente?
Liderança de pensamento na era da IA: princípios avançados

Uma das principais atribuições do conteúdo dentro de uma estratégia de marketing é transformar a marca em referência. Isso é liderança de pensamento. 

O marketing digital, e especialmente seus avanços nos últimos anos, nos proporciona uma oportunidade que os profissionais que vieram antes de nós apenas sonhavam em ter: a possibilidade de saber se o nosso conteúdo performa bem. 

No LinkedIn, conseguimos saber quantas pessoas de um determinado segmento leram um post. No Instagram, quantos homens e mulheres. No Google, quanto tempo um post passou sendo lido em média.

Isso é ótimo, mas também traz alguns problemas. O maior deles, com certeza, é o foco nos dados. Tudo começa a girar em torno do que gera mais cliques, mais likes, mais views. 

Hoje, gostaria de discutir com você sobre a liderança de pensamento. Como ela se manifesta, pra que ela serve e como trabalhar para atingi-la. 

Lembrando: esse post é sobre marketing de conteúdo. Portanto, vamos conversar também sobre IA. Fique até o final! 

O que é a liderança de pensamento?

Definir o que é liderança de pensamento é um trabalho bastante complexo, porque ela varia bastante dependendo da marca e da situação. 

Liderança de pensamento é a capacidade de uma marca de formular uma leitura própria e coerente sobre seu mercado, transformar essa leitura em teses e materializar essas teses em ações, conteúdos e inovações que passam a servir de referência para outros agentes.

Um grande case para explicar esse ponto é a HubSpot. Com o desgaste natural do Outbound Marketing, o crescimento do digital e os primeiros exemplos de branded content começando a aparecer, a marca passou a desenvolver seu próprio conceito de marketing: o Inbound. 

Com Halligan & Shah, os fundadores da HubSpot, a marca conseguiu: 

  • Entender os caminhos que o mercado estava seguindo; 
  • Pautar uma tese sobre como instrumentalizar esse novo caminho; 
  • Testar essa tese em si mesma; 
  • Divulgar a tese para o mundo; 
  • Criar uma tendência que hoje pauta como o marketing digital é feito. 

No Brasil, a RockContent e a Resultados Digitais aplicaram a fórmula, e passaram de start-ups de jovens CEOs para as maiores empresas de marketing digital da América Latina. 

Elas internalizaram uma tese existente, adaptaram ao contexto local, sistematizaram e educaram um mercado ainda imaturo. E com isso, passaram a ser lideranças de pensamento. 

Mas a liderança de pensamento pode se manifestar de diferentes maneiras. Estamos vendo nesse exemplo um caso de adaptação ao nosso mercado, o que já é bem diferente do que a HubSpot fez. 

Será que há mais algumas diferenças que vale a pena mencionar? Claro que sim. Vamos conversar sobre elas no tópico logo abaixo: 

Os diferentes aspectos da liderança de pensamento

O exemplo que analisamos trata de dois tipos de liderança de pensamento — a originária e a adaptativa. 

No primeiro, a HubSpot faz a análise do mercado, cria uma tese já com o operacional e processos desenhados, e lança tanto sua filosofia quanto seus produtos no mercado. 

Vários produtos similares surgiram a partir da HubSpot no mundo, inclusive nos E.U.A., a casa original da empresa, que nasceu em Cambridge. 

No Brasil, percebemos que a aplicação foi uma adaptação: a tese (Inbound Marketing como resposta), o operacional, os processos e o produto (plataformas de marketing digital com foco em Inbound) já existiam. 

De qualquer forma, em ambos os casos as marcas exemplificadas se tornaram referência e liderança de pensamento nos seus setores. 

Se há diferenças na aplicação do conceito e as duas marcas ainda são líderes de pensamento, a liderança de pensamento não é binária — ou é do “jeito certo” ou simplesmente não é. 

Logo abaixo vamos citar mais aspectos da liderança de pensamento, vendo diferenças na conceituação e sua aplicação em níveis locais, regionais, nacionais e internacionais. 

Acompanhe: 

Agenda setting: quem define o que é debatido

Agenda setting acontece quando uma marca consegue deslocar o foco do mercado. 

Em vez de apenas responder a perguntas existentes, ela passa a definir quais perguntas importam.

 Esse tipo de liderança atua no plano do discurso: muda prioridades, redefine problemas e estabelece novos critérios de relevância.

É uma liderança fortemente associada a momentos de ruptura, amadurecimento ou saturação de um setor. 

Quem pauta a agenda não precisa, necessariamente, oferecer todas as respostas — basta tornar inevitável o debate que propõe.

  • Define quais temas entram no centro da conversa;
  • Redefine problemas e prioridades do mercado;
  • Influencia decisões antes mesmo de produtos existirem;
  • Atua fortemente no campo do discurso e da tese

Exemplo: HubSpot

Ao popularizar o termo “Inbound Marketing”, a HubSpot não apenas apresentou uma nova abordagem operacional. 

Ela deslocou o debate do marketing digital, questionando a legitimidade do outbound tradicional e tornando inevitável a discussão sobre atração, permissão e educação do comprador. 

Mesmo empresas que nunca adotaram a HubSpot passaram a discutir marketing sob os termos que ela ajudou a definir.

Sensemaking: quem ajuda o mercado a interpretar mudanças

Sensemaking é a liderança exercida na tradução. Em mercados complexos, com excesso de informação, novas tecnologias e mudanças rápidas, o maior valor não está em lançar algo novo, mas em explicar o que está acontecendo de forma inteligível.

Marcas que exercem sensemaking ajudam o mercado a organizar o caos, conectando sinais dispersos, oferecendo narrativas coerentes e criando mapas mentais que reduzem incerteza. 

Essa liderança é comum em contextos locais, mercados em amadurecimento ou fases de transição tecnológica.

  • Interpreta mudanças complexas do mercado;
  • Conecta sinais dispersos em uma narrativa coerente;
  • Reduz incerteza e ambiguidade para decisores;
  • Atua fortemente via conteúdo, educação e análise

Exemplo: Resultados Digitais

No Brasil, a Resultados Digitais exerceu liderança de pensamento ao traduzir o Inbound Marketing para um mercado ainda pouco maduro digitalmente. 

Além de vender softwares, a empresa educou gestores, criou linguagem comum e ajudou o mercado a entender como aplicar conceitos globais à realidade local, tornando-se referência intelectual antes mesmo de ser dominante comercialmente.

Category design: quem cria ou reorganiza categorias

Category design acontece quando uma marca não apenas compete dentro de um mercado, mas redefine o próprio mercado. 

Essa liderança cria novas categorias ou reorganiza as existentes, alterando a forma como soluções são comparadas e avaliadas.

É um tipo de liderança raro e poderoso, porque muda o terreno competitivo. Ao redesenhar a categoria, a marca frequentemente se posiciona como referência natural, obrigando concorrentes a se encaixarem em um modelo que ela ajudou a criar.

  • Cria ou redefine categorias de mercado;
  • Altera critérios de comparação entre soluções;
  • Reorganiza a percepção de valor;
  • Costuma unir tese, produto e posicionamento

Exemplo: Salesforce

A Salesforce não apenas vendeu software de CRM. Ao defender o modelo SaaS quando o padrão ainda era software instalado localmente, ela ajudou a redesenhar a categoria de software corporativo. 

O “CRM em nuvem” deixou de ser uma alternativa e passou a ser o padrão pelo qual o mercado inteiro se organizou.

Diffusion of innovations: quem acelera a adoção

Nem toda liderança está em criar algo novo. Em muitos casos, o papel central é fazer com que uma inovação se torne prática comum. 

A diffusion of innovations trata da capacidade de reduzir fricção, provar viabilidade e acelerar a adoção em escala.

Essa liderança aparece com força em marcas operacionais e institucionais, que transformam ideias em padrões replicáveis. Ela é fundamental para que teses não fiquem restritas a early adopters.

  • Acelera a adoção de novas práticas;
  • Reduz barreiras técnicas e culturais;
  • Cria playbooks, processos e padrões;
  • Consolida o que passa a ser “normal” no mercado

Exemplo: Shopify

A Shopify não inventou o e-commerce, mas foi decisiva para sua popularização entre pequenos e médios negócios. 

Ao simplificar tecnologia, pagamentos e logística, a empresa acelerou a adoção do comércio digital, transformando uma inovação técnica em prática acessível e amplamente difundida.

Como uma estratégia de liderança de pensamento funciona? E como começar uma? 

A liderança de pensamento tende a acontecer. 

Não é que ela não pode ser planejada, mas ela é frequentemente um fenômeno que acontece em marcas que acabam se propondo a exercer os papéis que citamos no tópico anterior no mercado. 

Como vimos no caso da HubSpot, a “criação” do Inbound Marketing aconteceu muito por conta do produto que a própria HubSpot estava desenvolvendo. 

A Coca-Cola Company exerce liderança de pensamento não apenas por sua história, mas por sua capacidade de influenciar padrões, comportamentos e expectativas em escala global. 

Sua posição institucional redefine, continuamente, o que é normal, aceitável ou desejável dentro da categoria.

Já a Resultados Digitais se consolidou como liderança de pensamento ao adaptar uma tese global a um contexto local, combinando educação de mercado, operacionalização prática e um fantástico modelo de parcerias com marcas, agências e profissionais independentes.

É importante entender que você não está planejando para ser líder de pensamento. Você está exercendo uma função específica que o mercado precisa que seja exercida. 

E claro: com extrema excelência. Tão grande que ela não pode ser ignorada. 

Outras marcas vão seguir a sua como líder não pelos resultados das suas ações minuciosamente planejadas para atingir essa liderança. Mas sim pelo que ela representa ao mercado. 

O conceito de liderança de pensamento é bastante complexo, e mistura muito o lado business com o lado marketing.

A melhor forma de entender como ele realmente acontece é olhando para alguns cases além dos que já elencamos aqui. 

Logo abaixo, vamos conversar sobre alguns. Acompanhe: 

Case IDEO — a criação do Design Thinking

A IDEO se tornou líder de pensamento na área do design por apresentar uma nova forma de pensar o design — buscando uma nova forma de operacionalizá-lo, menos técnica e mais intuitiva.

Esse conceito trata da criação de qualquer material em três passos principais:

  • Inspiração: momento de entender o problema, realizar pesquisas e sintetizá-las, buscando referências. Tudo isso deve convergir para uma ou algumas soluções mais adequadas para a resolução do challenge
  • Ideação: momento de juntar as referências e ideias da etapa anterior e colocá-las em “teste”. Nesse caso, buscando a divergência, pontos fortes e fracos, e entendendo o que é possível fazer. Com uma ideia final, um protótipo é criado; 
  • Implementação: momento de teste real. O protótipo é levado ao stress que ele sentiria na sua aplicação real. Ele então é refinado e entregue como um produto final. 

Veja como esses três pontos em conjunto formam mais do que uma metodologia. Pensando na pesquisa como inspiração, você abre um espaço a mais para o designer pensar não diretamente no produto, mas sim no próprio problema que ele quer resolver. 

Na ideação e implementação, o D.T. determina que os designers devem pensar na prototipagem como a realização do seu processo de pesquisa. Mas uma realização prototípica, que exige refinamento e pode ser até descartada. 

Essa forma de pensar era o padrão na IDEO. Compartilhá-la com o mundo foi o que trouxe o status de liderança de pensamento para a marca. 

Case Atlassian (JIRA e Trello)

A Atlassian se tornou líder de pensamento ao propor uma nova forma de pensar o trabalho em equipe, fortemente conectada aos princípios do Agile, mas aplicada de maneira prática e escalável no dia a dia das organizações.

O Agile sempre defendeu colaboração, adaptação contínua e autonomia dos times. A Atlassian não criou esses princípios, mas exerceu liderança de pensamento ao traduzir o Agile do manifesto para a operação.

Com o JIRA, as empresas conseguem colocar o Agile em prática do jeito mais simples possível. É bastante similar 

Em vez de tratar produtividade como um problema individual, a Atlassian reposicionou o debate para o nível sistêmico: como o trabalho flui, como decisões são tomadas e como times se coordenam em ambientes complexos. Essa leitura está no centro do pensamento ágil.

Essa visão se materializa em alguns pilares recorrentes:

  • Planejamento incremental e colaborativo: o planejamento deixa de ser estático e passa a ser contínuo, visível e ajustável, refletindo o princípio ágil de responder a mudanças mais do que seguir planos rígidos;

  • Transparência como padrão operacional: backlogs, prioridades e status ficam expostos. A transparência deixa de ser valor abstrato e vira regra do sistema, reduzindo dependência de controle hierárquico;

  • Trabalho orientado a fluxo: o foco sai de tarefas isoladas e vai para o fluxo de trabalho, facilitando a identificação de gargalos, dependências e ciclos — base de práticas como Scrum e Kanban;

  • Autonomia com responsabilidade compartilhada: os times são auto-organizados, mas operam com clareza de prioridades, critérios e responsabilidades, em linha com a lógica ágil.

Mais do que ferramentas como Jira, Confluence ou Trello, esses elementos formam uma forma de pensar o trabalho

Ao materializar essa visão em software, conteúdo e referência cultural, a Atlassian ajudou a normalizar o Agile como padrão mental para organizar o trabalho moderno — consolidando sua posição como liderança de pensamento nesse front.

Com esses exemplos e essa base teórica, você já consegue perceber que a liderança de pensamento não acontece somente na base do conteúdo ou com uma estratégia pronta. 

A liderança de pensamento é uma consequência de um planejamento de negócios extenso, inovação no core business e revoluções no mercado. 

Não é ser a maior nem a melhor. A mensuração da sua liderança de pensamento está intimamente ligada às contribuições que você leva ao mercado. 

Conheça nossos cases para mais exemplos de liderança de pensamento. 

Escrito por:
André Bonanomi
CRO

Uma das principais atribuições do conteúdo dentro de uma estratégia de marketing é transformar a marca em referência. Isso é liderança de pensamento. 

O marketing digital, e especialmente seus avanços nos últimos anos, nos proporciona uma oportunidade que os profissionais que vieram antes de nós apenas sonhavam em ter: a possibilidade de saber se o nosso conteúdo performa bem. 

No LinkedIn, conseguimos saber quantas pessoas de um determinado segmento leram um post. No Instagram, quantos homens e mulheres. No Google, quanto tempo um post passou sendo lido em média.

Isso é ótimo, mas também traz alguns problemas. O maior deles, com certeza, é o foco nos dados. Tudo começa a girar em torno do que gera mais cliques, mais likes, mais views. 

Hoje, gostaria de discutir com você sobre a liderança de pensamento. Como ela se manifesta, pra que ela serve e como trabalhar para atingi-la. 

Lembrando: esse post é sobre marketing de conteúdo. Portanto, vamos conversar também sobre IA. Fique até o final! 

O que é a liderança de pensamento?

Definir o que é liderança de pensamento é um trabalho bastante complexo, porque ela varia bastante dependendo da marca e da situação. 

Liderança de pensamento é a capacidade de uma marca de formular uma leitura própria e coerente sobre seu mercado, transformar essa leitura em teses e materializar essas teses em ações, conteúdos e inovações que passam a servir de referência para outros agentes.

Um grande case para explicar esse ponto é a HubSpot. Com o desgaste natural do Outbound Marketing, o crescimento do digital e os primeiros exemplos de branded content começando a aparecer, a marca passou a desenvolver seu próprio conceito de marketing: o Inbound. 

Com Halligan & Shah, os fundadores da HubSpot, a marca conseguiu: 

  • Entender os caminhos que o mercado estava seguindo; 
  • Pautar uma tese sobre como instrumentalizar esse novo caminho; 
  • Testar essa tese em si mesma; 
  • Divulgar a tese para o mundo; 
  • Criar uma tendência que hoje pauta como o marketing digital é feito. 

No Brasil, a RockContent e a Resultados Digitais aplicaram a fórmula, e passaram de start-ups de jovens CEOs para as maiores empresas de marketing digital da América Latina. 

Elas internalizaram uma tese existente, adaptaram ao contexto local, sistematizaram e educaram um mercado ainda imaturo. E com isso, passaram a ser lideranças de pensamento. 

Mas a liderança de pensamento pode se manifestar de diferentes maneiras. Estamos vendo nesse exemplo um caso de adaptação ao nosso mercado, o que já é bem diferente do que a HubSpot fez. 

Será que há mais algumas diferenças que vale a pena mencionar? Claro que sim. Vamos conversar sobre elas no tópico logo abaixo: 

Os diferentes aspectos da liderança de pensamento

O exemplo que analisamos trata de dois tipos de liderança de pensamento — a originária e a adaptativa. 

No primeiro, a HubSpot faz a análise do mercado, cria uma tese já com o operacional e processos desenhados, e lança tanto sua filosofia quanto seus produtos no mercado. 

Vários produtos similares surgiram a partir da HubSpot no mundo, inclusive nos E.U.A., a casa original da empresa, que nasceu em Cambridge. 

No Brasil, percebemos que a aplicação foi uma adaptação: a tese (Inbound Marketing como resposta), o operacional, os processos e o produto (plataformas de marketing digital com foco em Inbound) já existiam. 

De qualquer forma, em ambos os casos as marcas exemplificadas se tornaram referência e liderança de pensamento nos seus setores. 

Se há diferenças na aplicação do conceito e as duas marcas ainda são líderes de pensamento, a liderança de pensamento não é binária — ou é do “jeito certo” ou simplesmente não é. 

Logo abaixo vamos citar mais aspectos da liderança de pensamento, vendo diferenças na conceituação e sua aplicação em níveis locais, regionais, nacionais e internacionais. 

Acompanhe: 

Agenda setting: quem define o que é debatido

Agenda setting acontece quando uma marca consegue deslocar o foco do mercado. 

Em vez de apenas responder a perguntas existentes, ela passa a definir quais perguntas importam.

 Esse tipo de liderança atua no plano do discurso: muda prioridades, redefine problemas e estabelece novos critérios de relevância.

É uma liderança fortemente associada a momentos de ruptura, amadurecimento ou saturação de um setor. 

Quem pauta a agenda não precisa, necessariamente, oferecer todas as respostas — basta tornar inevitável o debate que propõe.

  • Define quais temas entram no centro da conversa;
  • Redefine problemas e prioridades do mercado;
  • Influencia decisões antes mesmo de produtos existirem;
  • Atua fortemente no campo do discurso e da tese

Exemplo: HubSpot

Ao popularizar o termo “Inbound Marketing”, a HubSpot não apenas apresentou uma nova abordagem operacional. 

Ela deslocou o debate do marketing digital, questionando a legitimidade do outbound tradicional e tornando inevitável a discussão sobre atração, permissão e educação do comprador. 

Mesmo empresas que nunca adotaram a HubSpot passaram a discutir marketing sob os termos que ela ajudou a definir.

Sensemaking: quem ajuda o mercado a interpretar mudanças

Sensemaking é a liderança exercida na tradução. Em mercados complexos, com excesso de informação, novas tecnologias e mudanças rápidas, o maior valor não está em lançar algo novo, mas em explicar o que está acontecendo de forma inteligível.

Marcas que exercem sensemaking ajudam o mercado a organizar o caos, conectando sinais dispersos, oferecendo narrativas coerentes e criando mapas mentais que reduzem incerteza. 

Essa liderança é comum em contextos locais, mercados em amadurecimento ou fases de transição tecnológica.

  • Interpreta mudanças complexas do mercado;
  • Conecta sinais dispersos em uma narrativa coerente;
  • Reduz incerteza e ambiguidade para decisores;
  • Atua fortemente via conteúdo, educação e análise

Exemplo: Resultados Digitais

No Brasil, a Resultados Digitais exerceu liderança de pensamento ao traduzir o Inbound Marketing para um mercado ainda pouco maduro digitalmente. 

Além de vender softwares, a empresa educou gestores, criou linguagem comum e ajudou o mercado a entender como aplicar conceitos globais à realidade local, tornando-se referência intelectual antes mesmo de ser dominante comercialmente.

Category design: quem cria ou reorganiza categorias

Category design acontece quando uma marca não apenas compete dentro de um mercado, mas redefine o próprio mercado. 

Essa liderança cria novas categorias ou reorganiza as existentes, alterando a forma como soluções são comparadas e avaliadas.

É um tipo de liderança raro e poderoso, porque muda o terreno competitivo. Ao redesenhar a categoria, a marca frequentemente se posiciona como referência natural, obrigando concorrentes a se encaixarem em um modelo que ela ajudou a criar.

  • Cria ou redefine categorias de mercado;
  • Altera critérios de comparação entre soluções;
  • Reorganiza a percepção de valor;
  • Costuma unir tese, produto e posicionamento

Exemplo: Salesforce

A Salesforce não apenas vendeu software de CRM. Ao defender o modelo SaaS quando o padrão ainda era software instalado localmente, ela ajudou a redesenhar a categoria de software corporativo. 

O “CRM em nuvem” deixou de ser uma alternativa e passou a ser o padrão pelo qual o mercado inteiro se organizou.

Diffusion of innovations: quem acelera a adoção

Nem toda liderança está em criar algo novo. Em muitos casos, o papel central é fazer com que uma inovação se torne prática comum. 

A diffusion of innovations trata da capacidade de reduzir fricção, provar viabilidade e acelerar a adoção em escala.

Essa liderança aparece com força em marcas operacionais e institucionais, que transformam ideias em padrões replicáveis. Ela é fundamental para que teses não fiquem restritas a early adopters.

  • Acelera a adoção de novas práticas;
  • Reduz barreiras técnicas e culturais;
  • Cria playbooks, processos e padrões;
  • Consolida o que passa a ser “normal” no mercado

Exemplo: Shopify

A Shopify não inventou o e-commerce, mas foi decisiva para sua popularização entre pequenos e médios negócios. 

Ao simplificar tecnologia, pagamentos e logística, a empresa acelerou a adoção do comércio digital, transformando uma inovação técnica em prática acessível e amplamente difundida.

Como uma estratégia de liderança de pensamento funciona? E como começar uma? 

A liderança de pensamento tende a acontecer. 

Não é que ela não pode ser planejada, mas ela é frequentemente um fenômeno que acontece em marcas que acabam se propondo a exercer os papéis que citamos no tópico anterior no mercado. 

Como vimos no caso da HubSpot, a “criação” do Inbound Marketing aconteceu muito por conta do produto que a própria HubSpot estava desenvolvendo. 

A Coca-Cola Company exerce liderança de pensamento não apenas por sua história, mas por sua capacidade de influenciar padrões, comportamentos e expectativas em escala global. 

Sua posição institucional redefine, continuamente, o que é normal, aceitável ou desejável dentro da categoria.

Já a Resultados Digitais se consolidou como liderança de pensamento ao adaptar uma tese global a um contexto local, combinando educação de mercado, operacionalização prática e um fantástico modelo de parcerias com marcas, agências e profissionais independentes.

É importante entender que você não está planejando para ser líder de pensamento. Você está exercendo uma função específica que o mercado precisa que seja exercida. 

E claro: com extrema excelência. Tão grande que ela não pode ser ignorada. 

Outras marcas vão seguir a sua como líder não pelos resultados das suas ações minuciosamente planejadas para atingir essa liderança. Mas sim pelo que ela representa ao mercado. 

O conceito de liderança de pensamento é bastante complexo, e mistura muito o lado business com o lado marketing.

A melhor forma de entender como ele realmente acontece é olhando para alguns cases além dos que já elencamos aqui. 

Logo abaixo, vamos conversar sobre alguns. Acompanhe: 

Case IDEO — a criação do Design Thinking

A IDEO se tornou líder de pensamento na área do design por apresentar uma nova forma de pensar o design — buscando uma nova forma de operacionalizá-lo, menos técnica e mais intuitiva.

Esse conceito trata da criação de qualquer material em três passos principais:

  • Inspiração: momento de entender o problema, realizar pesquisas e sintetizá-las, buscando referências. Tudo isso deve convergir para uma ou algumas soluções mais adequadas para a resolução do challenge
  • Ideação: momento de juntar as referências e ideias da etapa anterior e colocá-las em “teste”. Nesse caso, buscando a divergência, pontos fortes e fracos, e entendendo o que é possível fazer. Com uma ideia final, um protótipo é criado; 
  • Implementação: momento de teste real. O protótipo é levado ao stress que ele sentiria na sua aplicação real. Ele então é refinado e entregue como um produto final. 

Veja como esses três pontos em conjunto formam mais do que uma metodologia. Pensando na pesquisa como inspiração, você abre um espaço a mais para o designer pensar não diretamente no produto, mas sim no próprio problema que ele quer resolver. 

Na ideação e implementação, o D.T. determina que os designers devem pensar na prototipagem como a realização do seu processo de pesquisa. Mas uma realização prototípica, que exige refinamento e pode ser até descartada. 

Essa forma de pensar era o padrão na IDEO. Compartilhá-la com o mundo foi o que trouxe o status de liderança de pensamento para a marca. 

Case Atlassian (JIRA e Trello)

A Atlassian se tornou líder de pensamento ao propor uma nova forma de pensar o trabalho em equipe, fortemente conectada aos princípios do Agile, mas aplicada de maneira prática e escalável no dia a dia das organizações.

O Agile sempre defendeu colaboração, adaptação contínua e autonomia dos times. A Atlassian não criou esses princípios, mas exerceu liderança de pensamento ao traduzir o Agile do manifesto para a operação.

Com o JIRA, as empresas conseguem colocar o Agile em prática do jeito mais simples possível. É bastante similar 

Em vez de tratar produtividade como um problema individual, a Atlassian reposicionou o debate para o nível sistêmico: como o trabalho flui, como decisões são tomadas e como times se coordenam em ambientes complexos. Essa leitura está no centro do pensamento ágil.

Essa visão se materializa em alguns pilares recorrentes:

  • Planejamento incremental e colaborativo: o planejamento deixa de ser estático e passa a ser contínuo, visível e ajustável, refletindo o princípio ágil de responder a mudanças mais do que seguir planos rígidos;

  • Transparência como padrão operacional: backlogs, prioridades e status ficam expostos. A transparência deixa de ser valor abstrato e vira regra do sistema, reduzindo dependência de controle hierárquico;

  • Trabalho orientado a fluxo: o foco sai de tarefas isoladas e vai para o fluxo de trabalho, facilitando a identificação de gargalos, dependências e ciclos — base de práticas como Scrum e Kanban;

  • Autonomia com responsabilidade compartilhada: os times são auto-organizados, mas operam com clareza de prioridades, critérios e responsabilidades, em linha com a lógica ágil.

Mais do que ferramentas como Jira, Confluence ou Trello, esses elementos formam uma forma de pensar o trabalho

Ao materializar essa visão em software, conteúdo e referência cultural, a Atlassian ajudou a normalizar o Agile como padrão mental para organizar o trabalho moderno — consolidando sua posição como liderança de pensamento nesse front.

Com esses exemplos e essa base teórica, você já consegue perceber que a liderança de pensamento não acontece somente na base do conteúdo ou com uma estratégia pronta. 

A liderança de pensamento é uma consequência de um planejamento de negócios extenso, inovação no core business e revoluções no mercado. 

Não é ser a maior nem a melhor. A mensuração da sua liderança de pensamento está intimamente ligada às contribuições que você leva ao mercado. 

Conheça nossos cases para mais exemplos de liderança de pensamento. 

Posts recentes

Nosso blog tem conteúdos semanais feitos por especialistas

Gestão da reputação online: o que é e como fazer?

Gestão da reputação online: o que é e como fazer?

A gestão da reputação online precisa ser feita todos os dias. Mas como isso funciona? Saiba mais no texto de hoje,
Sistema antifraude no e-commerce: tutorial + exemplos

Sistema antifraude no e-commerce: tutorial + exemplos

Um sistema antifraude no e-commerce é necessário para garantir menos prejuízo em transações duvidosas. Veja uma lista + tutorial.
Canais de conteúdo que ficaram mais interessantes pós-IA

Canais de conteúdo que ficaram mais interessantes pós-IA

A IA traz a necessidade de reavaliação dos canais de conteúdo - tanto para entender o que não funciona mais quanto o que passou a funcionar

Torne seu marketing digital mais estratégico

Agende uma conversa e receba o contato da nossa equipe. Temos um time de especialistas em desenvolver soluções e entregar resultados.

Thank you! Your submission has been received!
Oops! Something went wrong while submitting the form.