
Um dos principais debates sobre a IA no mundo do SEO é sobre o próprio futuro do SEO — compensa continuar fazendo? E por que?
Desde o nascimento do ChatGPT essa pergunta já vem circulando nas esferas de influência do marketing de conteúdo. “O SEO está morto” vem sendo um grande chavão desde muito tempo, mas agora, pela primeira vez, ele realmente parece que está na green mile.
O Google vem sendo bastante misterioso em relação à IA e seus impactos no SEO, mas ao mesmo tempo passando uma mensagem bem clara: não deixem de fazê-lo.
O texto de hoje é para falar sobre isso. Recentemente, John Muller, o Search Advocate do Google e grande aliado do SEO historicamente, respondeu alguns questionamentos sobre o assunto.
Seu tom business as usual acalma um pouco os ânimos, mas além de trazer seus pontos aqui no texto, também vamos buscar alguns questionamentos.
Tudo pronto? Então vamos lá:
➡️ Leia na íntegra: conversa completa de John Muller no subreddit r/SEO.
A IA não vai embora, mas o SEO também não

Algo que John Muller deixou bem claro é que não está nos planos do Google, ou de qualquer empresa, ter menos IAs.
O AI Overviews vai continuar existindo e vai ser expandido, se tornando cada vez mais assertivo nas buscas.
O AI Mode, que já vem ganhando em popularidade no mundo inteiro, também não vai deixar de existir. É mais provável que ele acabe substituindo completamente o Google daqui em diante.
Fun fact: em dezembro de 2025, o AI Mode do Google atingiu 75 milhões de usuários ativos diariamente. Fonte: Matt Southern no Search Engine Journal.
Esse texto não vem para dizer que a IA vai deixar de existir. Concordamos com John Muller: ela é provavelmente o novo padrão para buscas na internet, tanto dentro do Google quando fora dele.
O que precisa ser esclarecido é o papel do SEO dentro dessa nova realidade. E segundo Muller, ele é mais relevante do que nunca.
Aqui, vamos tratar de alguns argumentos do Google (representado por Muller) para chegar nessa conclusão. Acompanhe:
Ignore o hype: o que vale é a realidade
Um dos pontos mais consistentes do posicionamento de John Mueller é a recusa em tratar mudanças na busca como movimentos homogêneos e imediatos.
A adoção de interfaces baseadas em IA acontece de forma desigual entre públicos, mercados e tipos de busca, e ignorar isso leva a decisões estratégicas precipitadas.
Mueller reforça que não faz sentido redesenhar toda a estratégia de SEO ou conteúdo com base apenas em narrativas de mercado ou previsões genéricas.
O critério central continua sendo o comportamento observável da audiência, medido em dados concretos e comparáveis ao longo do tempo.
Antes de qualquer mudança estrutural, é fundamental responder com clareza:
- Quanto do tráfego atual já vem, de fato, de experiências baseadas em IA;
- Como esse tráfego se comporta em termos de engajamento, recorrência e conversão;
- Se o esforço de adaptação estratégica é proporcional ao impacto real observado no negócio.
Os sinais de rankeamento do AI Mode ainda são relacionados ao SEO
Apesar da mudança perceptível na interface de busca, Mueller deixa claro que a base técnica e conceitual que sustenta o AI Mode não rompe com o SEO tradicional.
Os modelos de IA do Google continuam dependendo de sistemas clássicos de rastreamento, indexação e compreensão de conteúdo.
Em outras palavras, a IA reorganiza a forma como a informação é apresentada, mas não elimina os critérios que determinam quais fontes são compreendidas como relevantes e confiáveis.
Conteúdos mal estruturados ou semanticamente pobres continuam invisíveis — independentemente da interface.
Na prática, os principais sinais continuam sendo:
- Conteúdo bem estruturado, com clareza semântica e contextual;
- Sinais consistentes de autoridade, relevância e confiabilidade;
- Uma base técnica que facilite o rastreamento, a interpretação e o reuso do conteúdo.
Focar demais em “estratégias GEO” não funciona tanto
Mueller também aponta um risco recorrente: tratar “GEO” como uma disciplina isolada ou como um atalho para substituir práticas consolidadas de SEO.
Estratégias desenhadas exclusivamente para agradar modelos generativos tendem a ser frágeis, oportunistas e pouco duráveis.
O que continua se mostrando eficaz é a construção de um ecossistema de conteúdo útil, capaz de responder dúvidas reais, cobrir temas com profundidade e sustentar autoridade ao longo do tempo.
Esse tipo de conteúdo não apenas alimenta melhor os modelos de IA, como também permanece relevante fora deles.
Os pilares dessa abordagem seguem sendo:
- Profundidade real de conteúdo, indo além de respostas superficiais;
- Cobertura consistente e estruturada de um tema ou segmento;
- Utilidade clara para pessoas, antes de qualquer tentativa de otimização para sistemas generativos.
O GEO é realmente o SEO?

Tudo muda tão rápido que até textos que escrevemos há alguns meses já não têm tanta validade assim.
Um exemplo: escrevemos um artigo sobre os llms.txt, um arquivo que existe para facilitar o crawl de IAs no seu site. Esse arquivo não foi proposto pelo Google, mas por outros profissionais da área de SEO.
Acontece que o próprio John Muller acabou de desconsiderar completamente esse método, citando o Google ao dizer que o llms.txt não vai ter impactos na IA.
Outro exemplo: temos um texto que fala exclusivamente sobre GEO e suas diferenças com o SEO. John Muller faz o caminho contrário, dizendo que o SEO ainda é o principal fator de rankeamento das IAs do Google.
Então, segundo Muller, SEO e GEO são intimamente ligados. Mas será que são mesmo? Vamos para algumas análises juntos:
1 - Correlação entre o rankeamento no Google e a citação pelo AI Overviews e AI Mode
O primeiro passo lógico para entender se a afirmação de Muller é realmente 100% verdadeira é fazendo uma verificação simples: o AI Mode vai preferir textos bem ranqueados como fonte?
A SearchEngineLand fez uma pesquisa recente sobre esse tema, e confirmou a proposta de John Muller: 75% dos resultados do AI Mode vêm direto dos textos com melhor rankeamento.
Vale ressaltar que esse estudo foi conduzido em dezembro de 2024.
Outro estudo mais recente (outubro de 2025) traz uma história diferente, quase 50/50.
O overlap com os artigos em melhores posições da busca aconteceu em 54% das respostas geradas pelo AI Mode. Em 46% das buscas, a correlação não aconteceu.
Ou seja: é fato que as IAs, especialmente a do Google, usam o SEO como fator de “rankeamento”. E portanto, bom SEO tem relações diretas com bom GEO.
Há um outro estudo que vale a pena citar também, mas ele está falando mais especificamente de topic clusters. Vamos para um próximo subtítulo para tratar disso:
2 - Correlação entre topic clusters e fan-out queries e a citação por IAs
Quando alguém faz uma pergunta, a IA não procura apenas essa pergunta exata. Ela “abre” essa pergunta em várias perguntas menores, paralelas, para conseguir montar uma resposta melhor.
Em vez de pesquisar uma coisa, ela pesquisa várias variações ao mesmo tempo.
Por exemplo: o usuário pergunta “Qual é o melhor CRM para pequenas empresas?”.
A IA não busca só isso. Ela “espalha” a pergunta em várias outras, como se estivesse pensando alto:
- “melhor CRM para pequenas empresas preço”
- “CRM simples para pequenas empresas”
- “CRM pequenas empresas comparação”
- “CRM fácil de usar para times pequenos”
- “alternativas ao Salesforce para pequenas empresas”
Essas buscas paralelas são as fan-out queries. Perceba que isso reflete o comportamento de buscas dos usuários — cada pessoa pesquisa de uma forma diferente.
Para atingir essas variações na pesquisa antes da IA, a solução era simples: criar pillar pages dentro de um sistema de cluster topics.
As pillar pages são documentos extensos que buscam respoder várias perguntas sobre o mesmo tópico. Uma boa pillar page faz links para outras páginas menores, criando um cluster.
Tudo isso foi para dizer que essas pillar pages e essa estrutura de topic clusters favorece a IA. Segundo o SearchEngineLand, páginas assim têm 161% mais chances de serem citadas pela IA.
3 - Não estar no top 10 não significa que você não será citado
Ok, na maioria das vezes você realmente não será citado sem estar no Top 10 das SERPs relacionadas à sua busca.
Mas isso não signfica que você não vai ser citado nunca. Não é bem por aí.
Os mecanismos da IA são bastante misteriosos, e a correlação entre rankeamento e citação não é de forma alguma absoluta. Você pode estar na página 50 e ainda ser citado.
É isso que um estudo recente da SurferSEO determinou. Casos foram encontrados onde um texto está totalmente fora da primeira página e ainda assim foi citado.
Claro que essa situação não é o padrão de forma alguma. Mas ainda assim, textos fora da primeira página no próprio Google não têm nem nunca tiveram a menor chance de serem lidos pelos usuários. Nas IAs, há pelo menos uma chance.
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Bom, então entendemos que o GEO realmente tem correlações diretas com o SEO.
É importante entender, porém, que aparecer nas IAs não significa necessariamente ser citado.
O caso do Google é pelo menos mais justo com o conteúdo, porque o AI Mode sempre cita fontes que expandem sobre o assunto na lateral direita.
E você? Tem alguma dúvida sobre o tema? Alguma opinião? O texto de hoje não traz soluções rápidas, apenas material para testar e assuntos para discutir.
Deixe seu comentário e vamos expandir o tema!
Inclusive, fizemos um grande apanhado de toda a estrutura do AI Mode recentemente em um texto nosso. Acesse logo abaixo:
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